Partido político contra a Federação Brasileira e o Estado de São Paulo, por falha na proteção do Cerrado e da Mata Atlântica contra a crise climática.

Localização

DF Brasília Brasil

Status
Na fase de implementação
Número do processo
ADPF 1201
Data de início
12 de December de 2024
Data da sentença ou da última decisão existente
Em 17 de março de 2025, o Supremo Tribunal Federal emitiu sua decisão final.
Resumo

O Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) ajuizou Ação por Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) com pedido de medidas cautelares contra a União Federal e o Estado de São Paulo, em razão de omissões e comissões que violam o dever constitucional de proteger os biomas Cerrado e Mata Atlântica, gravemente afetados pelos incêndios florestais ocorridos em 2024.

O PSOL argumentou que o estado atravessa uma crise climática e florestal resultante do desmantelamento de políticas ambientais, da ineficiência dos órgãos públicos e da redução de recursos destinados à prevenção e ao combate a incêndios. Denunciaram São Paulo por ter uma das piores qualidades do ar do Brasil e pelo fato de a maioria de seus municípios não possuir estruturas de defesa civil ou planos de resposta a desastres.

A ação judicial ressalta o papel essencial do Cerrado e da Mata Atlântica no abastecimento de água para o Brasil e a América do Sul, alertando que sua destruição aumenta o risco climático, compromete os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e viola direitos fundamentais como a vida, a saúde e a integridade física, além do princípio da precaução e da proibição de retrocesso ambiental.

Como medida de precaução, a PSOL solicitou que os governos federal e estaduais sejam obrigados a apresentar relatórios técnicos e científicos, bem como a implementar medidas administrativas e financeiras para prevenir e combater incêndios em 2025.

O Ministro Flávio Dino, em decisão individual posteriormente confirmada por unanimidade pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal (STF), reconheceu a emergência climática como uma ameaça global sem precedentes e destacou a vulnerabilidade ambiental de São Paulo. Ele determinou que as autoridades devem fortalecer a fiscalização e o controle ambiental e ordenou a apresentação de relatórios sobre:

(i) a execução do orçamento ambiental para 2023 e 2024;

(ii) as autorizações de utilização de fogo concedidas pela CETESB;

(iii) o estado de conservação das áreas protegidas sob a responsabilidade da SEMIL e do Ministério da Agricultura; e

(iv) o progresso do Programa de Recuperação Ambiental (PRA - Agro-Legal).

O STF ratificou parcialmente, por unanimidade, a medida de precaução, consolidando um precedente relevante em matéria de responsabilidade climática do Estado e proteção ativa dos biomas contra a crise climática.

Elemento climático

O PSOL fundamentou sua ação na existência de uma crise climática e ambiental estrutural no Estado de São Paulo, evidenciada pelas ondas de incêndios e pela degradação dos biomas Cerrado e Mata Atlântica durante o ano de 2024. Alegou que as autoridades públicas foram negligentes e omissas em seu dever de proteger esses ecossistemas essenciais, o que agrava os efeitos das mudanças climáticas e gera consequências diretas na saúde, no acesso à água e na qualidade de vida da população.

O partido argumentou que o desmantelamento da gestão ambiental, os cortes orçamentários e a ausência de políticas eficazes de prevenção de incêndios violam o princípio da precaução, o princípio da não regressão em matéria ambiental e o direito constitucional a um meio ambiente equilibrado (artigo 225 da Constituição Federal). Sustentou que a destruição do Cerrado e da Mata Atlântica — biomas fundamentais para a regulação hídrica e climática no Brasil e na América do Sul — aumenta o risco de secas, perda de biodiversidade e distúrbios atmosféricos, afetando a resiliência ecológica e a segurança climática do país.

Em sua decisão, o ministro Flávio Dino reconheceu explicitamente a existência de uma emergência climática global sem precedentes, observando que as omissões do Estado em questões ambientais têm impactos cumulativos sobre os biomas, a qualidade do ar e as condições de vida da população paulista. O Supremo Tribunal Federal (STF) afirmou que a ação climática é um dever constitucional compartilhado entre as entidades federais e que a inação diante das ameaças climáticas viola direitos fundamentais, especialmente os direitos à vida, à saúde e a um meio ambiente saudável.

Portanto, a Corte determinou medidas concretas para fortalecer a fiscalização e a responsabilização ambiental: exigindo relatórios sobre gastos públicos com o meio ambiente, o uso autorizado do fogo e o status das áreas protegidas. A decisão reforçou o entendimento de que a crise climática exige respostas institucionais imediatas, vinculando a proteção climática ao cumprimento dos direitos fundamentais e dos compromissos internacionais assumidos pelo Brasil.

Demandantes
  • Partido Socialismo e Liberdade (PSOL)
Demandados
  • Unión Federal
  • Estado de São Paulo
Organizações que apoiam
Instituto Clima De Inovacao E Tecnologia LTDA
Defensoria Pública da União
Defensoria Pública do Estado De São Paulo
Contexto territorial

A ação diz respeito ao território do Estado de São Paulo, lar de dois biomas fundamentais: o Cerrado e a Mata Atlântica. Esses ecossistemas são reconhecidos por sua alta biodiversidade e por seu papel essencial na regulação do clima e dos recursos hídricos do país. O Cerrado atua como uma grande esponja natural, alimentando os principais rios do Brasil — como o São Francisco, o Paraná e o Tocantins — enquanto a Mata Atlântica contribui para a precipitação, a estabilidade climática regional e a proteção do solo.

No território paulista, esses biomas sofreram intenso desmatamento e fragmentação, agravados pelas ondas de calor, incêndios e secas extremas registradas em 2024. As áreas rurais do interior, especialmente em regiões como o Vale do Paraíba, o oeste e o noroeste do estado, foram severamente afetadas pelos focos de incêndio que destroem pastagens, reservas legais e bordas de áreas protegidas.

As comunidades rurais, agrícolas e indígenas que habitam esses territórios dependem diretamente dos recursos naturais para sua subsistência. Incêndios e a perda de vegetação comprometem seus meios de subsistência, o acesso à água e a qualidade do ar. Nas áreas urbanas, a poluição atmosférica causada por incêndios levou a um aumento de doenças respiratórias, afetando principalmente crianças, idosos e populações vulneráveis.

A atuação da PSOL busca proteger tanto os ecossistemas ameaçados quanto as populações humanas que deles dependem, promovendo uma resposta institucional à crise climática e ambiental em São Paulo.

Normas e princípios invocados

Leis nacionais

  • Constituição da República Federal do Brasil
  • Constituição do Estado de São Paulo

Começo

  • Princípio da precaução
  • Princípio da não regressão.

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Instância
Constitucional
Tipo de ator
Partidos políticos
Tema
Florestas e desmatamento
Poluição do ar
Ecossistemas frágeis
Obrigações dos Estados
Proteção ambiental
Tipo de demandado
Estado
Município / governo local
Medidas cautelares
Garantido
Fundamentos da reclamação
Danos ambientais ou climáticos
Crimes ambientais
Legislação local
Legislação nacional