Fundação Quantum contra MINAE e RECOPE da Costa Rica, pela recusa de informações sobre hidrocarbonetos.

Localização

Costa Rica

Status
Resolvido na fase final
Número do processo
Sentencia N.º 2023024351 (Expediente N.º 23-020055-0007-CO)
Detalhes
O caso está encerrado.
Data de início
21 de August de 2023
Data da sentença ou da última decisão existente
29 de setembro de 2023. A Câmara Constitucional do Supremo Tribunal de Justiça declara admissível o recurso de proteção.
Resumo

Em 12 de junho de 2023, a Fundação Quantum solicitou formalmente ao Ministério do Meio Ambiente e Energia (MINAE) e ao Conselho de Administração da Refinaria de Petróleo da Costa Rica (RECOPE) uma cópia digital certificada de oito conjuntos de documentos históricos relacionados ao potencial e à exploração de hidrocarbonetos na Costa Rica. As informações solicitadas incluíam estudos técnicos financiados pelo Banco Mundial (1988), arquivos administrativos completos de concessões outorgadas a empresas como MKJ Xploration Inc., Harken Costa Rica Holdings, Mallon Oil Company e Black Hills Corporation, e diversas análises geológicas e geofísicas realizadas entre 1985 e 1995.

Embora a RECOPE tenha informado, em 29 de junho de 2023, que toda a documentação petrolífera em sua posse havia sido transferida para o MINAE, este último ministério não respondeu nem permitiu o acesso aos arquivos. Diante dessa omissão institucional, a recorrente interpôs recurso de proteção de direitos constitucionais em 21 de agosto de 2023, alegando violação de seu direito constitucional de acesso à informação.

O Ministro do Meio Ambiente e Energia justificou a falta de entrega no prazo com os seguintes argumentos:

  • O pedido teve origem em uma proposta de política energética privada da União Costarriquenha de Câmaras e Associações do Setor Empresarial Privado (UCCAEP), que era independente da agenda oficial do governo.
  • Os documentos solicitados correspondem a arquivos antigos (principalmente da década de 1980) armazenados em mais de 84 caixas físicas, portanto não foram digitalizados.
  • Uma análise prévia e minuciosa era necessária para evitar a divulgação de segredos comerciais ou financeiros de empresas privadas, de acordo com o artigo 273.1 da Lei Geral da Administração Pública.

Em 7 de setembro de 2023, por meio de carta enviada tardiamente e após a concessão da proteção, o MINAE disponibilizou os arquivos físicos ao requerente para consulta e possível fotocópia, às custas do interessado.

Com base no exposto, a Câmara Constitucional declarou o recurso admissível e fundamentou sua decisão nos seguintes princípios fundamentais:

Princípio da Transparência Administrativa: O Artigo 30 da Constituição Política da Costa Rica estabelece a transparência como regra geral na administração pública. As únicas exceções legítimas à restrição de acesso são os segredos de Estado expressamente declarados ou a proteção de dados sensíveis, conforme o direito à privacidade.

Inadmissibilidade de justificativas logísticas: O volume, a idade ou a complexidade física e organizacional dos arquivos institucionais não foram considerados motivos válidos para negar ou atrasar indevidamente o fornecimento de informações de interesse público.

Dever de Dissociar Dados: Caso um arquivo contenha itens confidenciais ou de natureza comercial legítima, a Administração Pública tem a obrigação técnica de redigir, dissociar ou excluir tais dados específicos e disponibilizar a parte pública do documento, em vez de negar o acesso ao arquivo completo.

Insuficiência de respostas após o amparo: A oferta tardia de permitir a consulta física dos documentos após a interposição do recurso não sana a violação constitucional original, uma vez que não satisfaz o método de entrega (cópia autenticada) formalmente exigido pelo requerente.

Em 29 de setembro de 2026, a Câmara Constitucional do Supremo Tribunal de Justiça acolheu o recurso de proteção de direitos constitucionais e determinou que o Ministro do Meio Ambiente e Energia fornecesse à Fundação Quantum as cópias autenticadas solicitadas no prazo improrrogável de dez dias úteis, além de efetuar as redações necessárias para salvaguardar dados pessoais sensíveis ou informações comerciais estritamente restritas. A Corte também determinou que os custos das cópias e os respectivos selos fiscais fossem suportados pela parte interessada, condenando o Estado ao pagamento das custas, danos e prejuízos causados, a serem apurados por meio de processo administrativo.

Elemento climático

O caso apresenta uma dimensão climática ligada ao acesso à informação pública sobre a exploração e o potencial de exploração de hidrocarbonetos na Costa Rica. Embora o objetivo imediato da ação de amparo seja proteger o direito constitucional de acesso à informação, os documentos solicitados têm relevância ambiental e climática, pois se referem a recursos energéticos fósseis e a registros administrativos e técnicos que podem influenciar a formulação e a avaliação da política energética nacional.

Informações históricas sobre o potencial de hidrocarbonetos, exploração e concessões na Costa Rica, particularmente estudos geológicos e geofísicos e registros de empresas petrolíferas, são relevantes porque os hidrocarbonetos são combustíveis fósseis cuja extração, processamento e uso subsequente geram emissões de gases de efeito estufa, principalmente dióxido de carbono (CO₂). Portanto, compreender a história da exploração de petróleo permite analisar a relação entre a exploração de hidrocarbonetos e a eventual exploração, a disponibilidade e o uso de combustíveis fósseis e, consequentemente, as emissões de gases de efeito estufa e seu impacto nas mudanças climáticas.

O acesso a essas informações fortalece a transparência, a participação cidadã e a fiscalização social das decisões públicas relacionadas a atividades que potencialmente geram gases de efeito estufa. Consequentemente, a dimensão climática do caso se manifesta principalmente como uma questão de governança, transparência e acesso à informação ambiental, e não necessariamente como uma reivindicação direta de indenização por danos decorrentes das mudanças climáticas.

No contexto da Costa Rica, a questão é particularmente significativa porque o país desenvolveu uma política pública caracterizada por uma forte participação de fontes renováveis na geração de eletricidade e por compromissos de descarbonização de sua economia.

Demandantes
  • Fundação Quântica.
Demandados
  • Ministério do Meio Ambiente e Energia (MINAE)
  • Refinaria de Petróleo da Costa Rica (RECOPE)
Contexto territorial

A Costa Rica é um país com biodiversidade excepcional e ecossistemas frágeis, o que a torna altamente vulnerável aos efeitos das mudanças climáticas. Sua localização nos trópicos da América Central a expõe a eventos climáticos extremos, como furacões, tempestades tropicais, secas e inundações, que têm aumentado em frequência e intensidade devido ao aquecimento global.

Na Costa Rica, o planejamento do uso da terra e a gestão ambiental baseiam-se no Direito a um Meio Ambiente Saudável e Ecologicamente Equilibrado, embora enfrentem desafios de coordenação institucional e o desafio de garantir a governança territorial com base no acesso público à informação.

Apesar de suas ambiciosas políticas ambientais e compromissos internacionais, o país enfrenta desafios na integração da variável climática em seus instrumentos de gestão ambiental, como a Avaliação de Impacto Ambiental (AIA).

Existe uma lacuna entre as políticas bem-sucedidas de conservação florestal rigorosa e a falta de um planejamento abrangente do uso da terra e de conservação em nível de desenvolvimento espacial.

A sobreposição de funções entre municípios e entidades estaduais gera conflitos ambientais e duplicação de esforços.

Normas e princípios invocados

Leis nacionais

  • Constituição Política da Costa Rica

Começo

  • Princípio de acesso à informação
  • Princípio da máxima publicidade
  • Princípio da Prevenção

 

Instância
Constitucional
Tipo de ator
Organização da sociedade civil
Tema
Combustíveis fósseis
Obrigações dos Estados
Participação cidadã
Violação dos direitos humanos
Tipo de demandado
Conselho de administração ou governança corporativa
Estado
Fundamentos da reclamação
Direitos de consulta e participação
Legislação nacional
Outros direitos humanos